FALSOS SINÔNIMOS

05/02/2009 21:05

Vejamos, a seguir, uma série de palavras que devemos usar no seu real significado:

ACATAR – Significa “obedecer”: “Ele acatou as ordens do juiz”. Não é sinônimo de acolher: “O juiz da décima Vara Federal de Brasília, Marcus Vinícius Reis Bastos, acolheu (e não acatou) a denúncia do Ministério Público Federal contra os três”.

ADMITIR – Significa “reconhecer”. Apresenta carga negativa. É incoerente admitir uma “coisa positiva”: “Ele admitiu que está fazendo o maior sucesso” (= só seria possível se ele tivesse negado anteriormente). Em vez de “ele admitiu que errou”, é melhor “ele reconheceu o seu erro”; em vez de “ele admitiu que matou nove crianças”, é melhor “ele confessou que matou nove crianças”. Pode, também, provocar ambigüidade: “Igreja admite estupro de freiras por religiosos” (reconhece que houve ou permite que haja?). Por tudo isso, é bom tomar muito cuidado com o uso do verbo admitir.

ALTO – O preço é alto, mas o produto é caro: “O preço dos automóveis está muito alto”; “Este automóvel está muito caro”.

AO CONTRÁRIO DE – Só se forem “coisas opostas”. Se não forem “coisas opostas”, devemos dizer diferentemente: “Diferentemente do que publicamos ontem, Romário já fez 250 gols com a camisa do Vasco, e não 249.” Exemplo inaceitável: “Ao contrário do que foi dito, ele venceu oito e não sete corridas (= não são “coisas” opostas).

AO ENCONTRO DE – Significa “a favor”: “Ficamos felizes, porque as suas idéias vêm ao encontro das nossas necessidades”; “Qualidade é ir ao encontro das expectativas do cliente”.

AO INVÉS DE – Significa “ao contrário de”. Só pode ser usado se houver troca “por coisa oposta”: “Ele entrou à direita ao invés de entrar à esquerda”; “Subiu ao invés de descer”. Em caso de dúvida (= se a coisa é oposta ou não), use em vez de.

APARIÇÃO – Use somente em situações específicas (= algo repentino e surpreendente): “aparição de fantasmas, de discos voadores…” Em geral, use aparecimento: “Ficamos esperando pelo aparecimento da testemunha”.

ARBITRAGEM – É o “ato de arbitrar”. É bom não usar em lugar de árbitro: “A arbitragem não deu o

 

pênalti.” Devemos dizer que “o árbitro não deu o pênalti”.

ARRUINADO – Significa “empobrecido, quem perdeu tudo”: “O rico empresário ficou arruinado”. Não devemos usar no sentido de “ficar em ruínas”: “O aeroporto ficou totalmente destruído (e não arruinado)”.

BAIXO/ BARATO – O preço é baixo, mas o produto é barato: “O preço dos automóveis está muito baixo”; “Este automóvel está muito barato”.

BASTANTE – É “o que basta”. Significa “suficiente”: “Ele já tem provas bastantes ( = suficientes) para incriminá-la”. É bom evitar o uso da palavra bastante como advérbio de intensidade (= muito, suficientemente): “A moradora ficou muito (e não bastante) preocupada”. Pode provocar ambigüidade: “Ele comeu bastante” (muito ou suficiente?).

BIMENSAL/BIMESTRAL – Bimensal é “duas vezes por mês”; bimestral é “de dois em dois meses”.

CARIOCA – Refere-se à cidade do Rio de Janeiro. Portanto, o governador do Estado do Rio de Janeiro é fluminense, e não carioca. “A Federação confirmou que os dois jogos deste fim de semana pelo campeonato do Estado do Rio de Janeiro serão no Maracanã.” Devido ao uso consagrado, no caso do futebol, podemos usar “campeonato carioca”: “Flamengo é o atual campeão carioca”.

CHANCE – Use apenas no sentido positivo: “O Palmeiras tem a chance de ser campeão neste fim de semana.” Evite usar no sentido negativo: “Isso aumenta a chance de enfarte”; “A chance de ele ser condenado são enormes”. Nesses casos, prefira “risco, possibilidade ou probabilidade”.

COCA/COCAÍNA – Coca é a planta; e cocaína, a droga: “Mastigava folhas de coca”; “Era viciado em cocaína”.

COMERCIALIZAR
– É mais do que simplesmente vender: “A empregada doméstica resolveu vender (e não comercializar) o carro importado que ganhou no sorteio do supermercado.” Quem comercializa um produto pode vender, comprar, trocar, alugar, financiar…

CONFISCAR
– Não é sinônimo de desapropriar: “Os judeus tiveram seus bens confiscados durante a segunda grande guerra.” Se houver “indenização”, é desapropriação, e não confisco: “Para a reforma agrária, muitas terras foram desapropriadas.”

CONFLITO – Usado para designar “confusão”: “Na praça, houve um conflito generalizado”.

CONFRONTO – Só se houver “enfrentamento”: “Após o jogo, houve um confronto entre as torcidas do Flamengo e do Vasco.” Se houver apenas “confusão”, é melhor usar conflito.

CONTAMINADO – Contaminação é mais que poluição. Água com muita sujeira está poluída; com vírus, bactérias, agentes químicos… está contaminada.

DE ENCONTRO A – Significa “contra”: “O carro foi violentamente de encontro ao poste”; “A decisão do governo vai de encontro aos (= contra) anseios dos aposentados”. Não confunda com AO ENCONTRO DE, que é igual a “em apoio de”.

DEFICIENTE – É quando há “falta”: “Era um deficiente físico.”

DEFICITÁRIO – É o que sofreu déficit: “Foi uma campanha deficitária” (= deu prejuízo).

DENUNCIAR – Rigorosamente, só o Ministério Público (= um promotor) pode apresentar uma denúncia. Hoje em dia, no meio jornalístico, é aceitável o uso de denúncia como uma “revelação”: “…como foi denunciado ontem aqui no Jornal Nacional”. Devemos, entretanto, usar com cuidado e moderação. Exemplo inaceitável: “O Jornal Nacional denunciou (= mostrou) ontem a última viagem de um caminhão roubado no Paraná” (= nesse caso não há nenhuma denúncia).

DESCOLAMENTO – É o “ato de descolar, desgrudar”: “Sofreu o descolamento da retina.”

DESINFETAR – Não é sinônimo de esterilizar. Desinfetar é “limpar”; esterilizar é “tornar estéril, matar bactérias, vírus”: “É necessário desinfetar os banheiros e a cozinha”; “Todo dentista é obrigado a esterilizar seus instrumentos”.

DESLOCAMENTO – É o “ato de deslocar, mudar de lugar”: “Há a necessidade do deslocamento de todos os soldados que estão na região”.

DESPENCAR – No sentido de “cair, diminuir, descer”, só usar se houver idéia de “repentino ou queda muito grande”: “As bolsas européias despencaram (= queda muito acentuada)”; “Ele despencou para o oitavo lugar (= repentinamente ele caiu, por exemplo, do segundo para o oitavo lugar)”.

DISPARAR – No sentido de “subir ou crescer”, apresenta uma carga muito forte. É melhor usar subir ou crescer: “Ele começa a disparar (subir ou crescer) nas pesquisas de opinião” (= há subjetividade, uma carga perigosa). Deve ser evitado no sentido de “dizer”: “Ele é covarde”, disparou a atriz.

DIVISA – Usamos para estados: “Na divisa de Pernambuco com a Paraíba.”

DIZIMAR – Vem de dízimo, ou seja, a décima parte. Originariamente é a matança de um soldado em cada grupo de dez. Portanto, seria incoerente dizermos que uma raça foi “totalmente dizimada”. É melhor usar o verbo exterminar.

DUBLÊ – É um “substituto”. Não devemos usar para quem exerce “dupla função”: “O baiano Lindoberto, por exemplo, é um dublê de zagueiro e pescador”. Além de ser um lugar-comum, a palavra dublê apresenta uma clara carga depreciativa, pejorativa.

EM PRINCÍPIO – Significa “em tese, teoricamente, por princípios”: “Em princípio (= por princípios religiosos), ele é contra o aborto”. Com o sentido de “inicialmente, num primeiro momento”, é melhor usar A PRINCÍPIO.

EM VEZ DE Significa “em lugar de”. Deve ser usado para qualquer tipo de troca, de substituição: “Foi à praia em vez de ir à escola”; “Apertou o botão azul em vez do vermelho”; “Ronaldinho preferiu correr com a bola em vez de chutar”; “Imagine só tentar falar ao telefone e, em vez de uma pessoa do outro lado da linha, ouvir o sermão de uma rádio evangélica”.

EPIDEMIA/ENDEMIA/EPIZOOTIA – Epidemia - doença infecciosa de caráter transitório que atinge um grande número de pessoas numa área extensa. Endemia - doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa em determinada população ou região. Epidemia e endemia só devem ser usadas para seres humanos. Para animais, usamos epizootia.

ESCASSEZ – Ocorre quando “há pouco”: “As prateleiras dos supermercados quase vazias comprovam a escassez do produto.” Quando “não há”, ocorre falta: “A falta do produto é comprovada pelas prateleiras totalmente vazias”.

EVENTUAL – Significa “esporádico, ocasional, o que ocorre de vez em quando”. Uma “derrota eventual” é aquela que acontece de vez em quando. Não é sinônimo de possível nem de provável: “Oposição teme uma possível (e não eventual) derrota nas próximas eleições”; “O Barcelona é o provável (e não eventual) campeão espanhol desta temporada”.

EXPLICAR – É “esclarecer”. Não é sinônimo de justificar.

EXTORQUIR – É “arrancar, torcer para fora”. Só se pode extorquir “alguma coisa” de alguém. Uma pessoa não pode ser extorquida. A frase “A família foi extorquida pelos seqüestradores” é inaceitável. O certo é: “Os seqüestradores extorquiram dois milhões de reais da família… (= na voz ativa)” ou “Dois milhões de reais foram extorquidos pelos seqüestradores… (= na voz passiva). Só a “coisa” pode ser extorquida.

EXTRADITAR – Extradição é um acordo que há entre alguns países. Para extraditar, é preciso que haja a solicitação de outro país: “O Brasil solicitou a extradição de Cacciola.” Se não houver solicitação, pode ser expulsão: “O governo brasileiro queria expulsar o jornalista americano.” Expulsão é uma decisão unilateral.

FALÊNCIA – É mais adequado só usar para empresas. Para pessoas físicas, é melhor usar insolvência.

FAMILIAR – É preferível utilizar a palavra parente, por ser mais usual.

FATAL – É “que mata”. Portanto, não há “vítima fatal”. O acidente é que foi fatal: “Um acidente fatal com duas vítimas.”

FRONTEIRA – Usamos para países: “Na fronteira do Brasil com o Paraguai.”

GARANTIR – Só pode ser usado para quem tem o poder: “Estou vivendo o meu melhor momento”, garantiu o atacante. Não usar para quem não tem o poder de “garantir”: “Sérgio Cabral disse ou afirmou (e não garantiu) que Benedita será a candidata do PT (= não depende dele)”; “O técnico afirmou (e não garantiu) que o atacante estará totalmente recuperado até domingo”. É desnecessário “garantir o óbvio”: “O Brasil tem dimensões continentais, garantiu o presidente americano.”

GEMINADAS – Casas são geminadas, e não “germinadas”. Geminadas deriva de “gêmeo”, e germinada vem de “germe”.

GOLEADA – É o ato de golear, ou seja, vencer por uma grande diferença de gols. Segundo o senso comum, é necessário que o time vencedor tenha feito no mínimo quatro gols: “4 a 1, 4 a 0, 5 a 2…”. Não deve ser usada para designar o jogo em que houve muitos gols: “5 a 4, 7 a 5, 6 a 6”.

GREVE – Quem faz greve é empregado; patrão faz locaute.

ILEGAL – É a situação, e não a pessoa. Não existem “imigrantes ilegais”. Prefira: “Os imigrantes estão em situação ilegal.” Também não existem “filhos ilegais”.

IMPLANTAR – É “dar início”. “O sistema só foi implantado (= começou) no ano passado.” Não é sinônimo de implementar.

IMPLEMENTAR – É “pôr em prática, desenvolver, fazer funcionar”: “Todos os procedimentos já estão devidamente escritos e aprovados, mas nunca foram implementados.”

INEFICIENTE – É o “que não é eficiente”: “Foi um fracasso. Os apelos foram ineficientes.”

INÚMEROS – Significa “incontáveis”. Para grandes quantidades, porém “contáveis”, devemos usar muitos, vários ou numerosos: “Pelé fez muitos (e não inúmeros) gols com a camisa do Santos.”

INVASÃO – Só se houver violência. Se for pacífica, é melhor usar ocupação.

INSOLVÊNCIA – Deve ser usado para pessoas físicas. Só devemos usar falência para empresas.

JORNADA – Corresponde ao trabalho “diário”. Meia jornada é trabalhar “metade do dia”. É bom evitar “jornada semanal ou mensal“.

JUDIAR – Por sua referência ao sofrimento dos judeus, é melhor substituir por maltratar.

JUSTIFICAR – É “tornar justo, inocentar”. Não é sinônimo de explicar: “Ele explicou (e não justificou) que só aceitou o dinheiro do tráfico de drogas porque era para ajudar as crianças carentes”; “Isso explica, mas não justifica”.

LIDERANÇA – É “a qualidade do líder, o ato de liderar”: “Foi o escolhido pela sua capacidade de liderança.” É bom evitar o uso de liderança para substituir líderes: “Teve que enfrentar os líderes (e não as lideranças) dos partidos de oposição”. O uso de liderança em substituição a líder é uma forma de metonímia.

LIMITE – Use para municípios: “Aqui é onde o Rio de Janeiro faz limite com Duque de Caxias.”

LINCHAMENTO
– Implica a morte da vítima. Se sobreviver, houve espancamento ou tentativa de linchamento.

LISTA/LISTADO/LISTAR/LISTAGEM – Lista pode ser uma relação ou sinônimo de listra: “Seu nome não estava na lista dos aprovados”; “Estava com uma camisa listada (ou listrada)”. Listar já pode ser usado como sinônimo de “enumerar, relacionar”. Listagem é “lista feita em computador”.

LITERAL – Significa “com as mesmas letras”. Uma transcrição literal é uma transcrição fiel ao texto original. Quando dizemos que “alguém está literalmente louco”, significa que ele está verdadeiramente louco, no sentido real da palavra. Portanto, são inaceitáveis frases do tipo: “Ele estava literalmente impedido” (= não devemos usar literalmente no sentido de “totalmente, inteiramente, completamente”); “Não foi uma bicicleta literalmente” (= não foi propriamente uma bicicleta).

MADRUGADA – É o período do dia que vai da zero hora até o amanhecer. Evite: “Transmitiremos a luta na madrugada de sábado para domingo“. O correto é: “…na madrugada de domingo”.

MAIOR/MAIS – Maior refere-se à intensidade ou tamanho: “O empresário espera maior êxito desta vez”; “Precisamos de maior ajuda”. Mais deve ser usado para palavras ou expressões que indiquem quantidade: “Precisamos de mais detalhes”; “Os dirigentes querem mais recursos”. Assim, o correto é “mais informações”, e não “maiores informações”. Em rádio e televisão, para não confundir mais notícias com más notícias, é preferível usar “outras ou novas notícias”.

MAIORES – Significa “mais grande”. Portanto, não se dá “maiores informações”, e sim outras ou novas informações. Dar “mais informações” não está errado, mas devemos evitar na linguagem falada, porque o ouvinte pode entender “más informações”. Com palavras masculinas, não há problemas: “mais detalhes”.

MEDÍOCRE
– Apresenta sentido pejorativo. Um “desempenho medíocre” não é um “desempenho médio”, e sim um “desempenho ridículo, abaixo da média”.

MEMBRO
– É bom evitar. Pode provocar constrangimentos: “Todos os membros se levantaram”; “Os membros da comitiva presidencial estavam muito agitados”. Melhor usar “Os integrantes da comitiva”. Podemos usar membro como adjetivo, quando vier depois de um substantivo: “estado membro, países membros“.

MESMO – Não é sinônimo de igual. Mesmo é “um só”; igual é “outro”. O “mesmo problema” do ano passado é um problema só (= o problema do ano passado ainda não foi resolvido). Um “problema igual” ao do ano passado é um outro problema, com as mesmas características. Exemplo duvidoso: “O Senado vai receber a mesma verba da Câmara dos Deputados (= uma única verba que será dividida entre as duas casas)”. Ou “O Senado vai receber uma verba igual à Câmara dos Deputados (= se forem duas verbas de mesmo valor, uma para cada casa)”.

MILITÂNCIA – É a condição de militante, é a prática, a atuação: “Isto tudo ocorreu durante sua militância no Partido Comunista.” Para designar as pessoas, devemos usar militantes: “Os militantes (e não militância) do partido invadiram o plenário.”

MINIMIZAR – Cuidado. Significa “reduzir ao mínimo”. Palavra perigosa. Apresenta certa carga pejorativa (“fazer parecer menor”): “Precisamos minimizar a crise” (diminuir ou fazer a crise parecer menor?). Evite usar: “A solução para minimizar o impacto das novas dívidas”. Prefira “…para atenuar ou diminuir o impacto das novas dívidas”.

NORMALIZAR – Significa “tornar normal”: “Agora a situação já está normalizada.” É usada também no sentido de normatizar (= criar normas): “É um instituto especializado em normalização técnica.”
Obs.: “A situação se normaliza” (e não “a situação normaliza“).

NORMATIZAR – É um neologismo já registrado em nossos dicionários. Significa “criar normas”: “Em sua empresa tudo está sendo normatizado”.

OBSERVAÇÃO/OBSERVÂNCIA – Observação é “o ato de observar, perceber pelos sentidos”, é “o reparo, a advertência”: “O diretor fez duas observações importantes.” Observância é “o cumprimento, a execução fiel”: “Para evitar acidentes, é importante que haja a observância das normas.”

OPORTUNISTA – Cuidado. Palavra perigosa. Apresenta carga negativa: “Romário é um atleta muito oportunista.” Se ele aproveita bem as oportunidades para fazer seus gols, o melhor é dizer que “ele tem senso de oportunidade”.

ÓPTICO/ÓTICO – Óptico refere-se à visão: “Apresentava problemas no músculo óptico.” Ótico, a princípio, refere-se ao ouvido: “A labirintite afetou-lhe o nervo ótico.” Hoje em dia, porém, aceita-se o uso de ótica em referência à visão: “Comprou seus óculos numa ótica popular”; “Na sua ótica, o contrato não deveria ser assinado”; “Não passou de uma ilusão de ótica”.

PAULISTA – Refere-se ao estado de São Paulo.

PAULISTANO – Refere-se à cidade de São Paulo.

PELADA – Cuidado. Apresenta carga pejorativa. É melhor dizer que “ela estava nua” (= se houver sensualidade) ou despida (= se não houver carga de sensualidade).

PENALIZADO – É melhor só usar no sentido de “ter pena, dó, compaixão”: “Sentia-se penalizado diante de tanta miséria.” Embora já esteja registrado no novo Aurélio e no dicionário Houaiss, é bom evitar o uso de penalizado no sentido de “punido”: “O zagueiro foi punido (e não penalizado) com cartão vermelho.”

PONTO PERCENTUAL – Não devemos confundir com percentagem. Se a inflação subiu de 2% para 4%, ela subiu 100% ou dois pontos percentuais.

PORTENHO – Vem de porto. Refere-se a quem nasce ou vive em Buenos Aires. Não é sinônimo de argentino.

POSAR/POUSAR – Posar é “fazer pose”: “Ela posou para duas revistas masculinas.” Pousar é “descer, aterrissar, descansar”: “O avião pousou com vinte minutos de atraso”; “Os viajantes pousaram neste albergue”.

POSSUIR – Devemos evitar o uso de possuir como simples sinônimo de ter. Rigorosamente possuir equivale a “ter a posse de, ter a propriedade de, poder dispor de”: “Ele possui muitos bens no estrangeiro”. Em geral, é mais seguro e correto usar o verbo ter: “Ela tem duas filhas”; “Ele tem direito adquirido”; “Eles têm duas liminares”…

PROCRASTINAR – Cuidado. Na língua do dia-a-dia, apresenta carga negativa: “enrolar”. É preferível adiar ou prorrogar.

PROTOCOLAR/PROTOCOLIZAR – Segundo a tradição, protocolar é adjetivo, é “o que segue o protocolo”: “São ações protocolares.” Hoje em dia, porém, aceita-se como verbo. Seria sinônimo de protocolizar: “Os documentos foram protocolizados ou protocolados.”

QUESTIONAR – É “pôr em dúvida”: “O deputado questionou a legalidade do contrato.” Não é sinônimo de perguntar: “O deputado perguntou (e não questionou) se o banqueiro iria depor hoje à tarde ou somente amanhã”.

RAPTO – Não é sinônimo de seqüestro. Rapto é só de mulheres e com fins sexuais: “É hábito, nesta tribo, a mulher ser raptada pelo futuro marido”. Exemplo inaceitável: “Os dois confessaram que, na época do rapto, compraram três crianças nas mãos de Matilde” (= Embora seja freqüente, devemos evitar o uso de RAPTO para crianças).

REFUTAR – Significa “contestar, apresentar argumentos contrários”. “O mestre refutou (= contestou) as minhas idéias.” Não é sinônimo de rejeitar: “O diretor rejeitou (= não aceitou) a minha proposta”.

REGULARIZAR – O que se regulariza é a situação e não a pessoa: “A situação do atleta já foi regularizada na federação.” Devemos evitar construções do tipo: “O atleta ainda não foi regularizado na federação”; “Os camelôs não estão regularizados”.

RENDER – Palavra de carga positiva. Não devemos usar em situações negativas: “As fotos nuas lhe renderam um processo.” O mais adequado é “…custaram um processo”.

REPERCUTIR – O que repercute é a coisa: “A derrota repercutiu muito mais do que se esperava”. Devemos evitar construções em que “alguém repercute alguma coisa”: “Vamos repercutir a derrota no vestiário do Vasco.” É melhor: “Vamos ver a repercussão da derrota no vestiário do Vasco”.

RESTO – Palavra de carga negativa. Devemos evitar:
“O primeiro pode entrar, o resto deve permanecer sentado”. É melhor: “…os demais devem permanecer…”.
“São Paulo assiste a Palmeiras e Grêmio, o resto fica com o jogo Flamengo e Bahia”. É melhor: ”A rede Globo transmitirá Flamengo e Bahia; para São Paulo, Palmeiras e Grêmio”.

ROUBO – É diferente de furto. Se houver qualquer tipo de “violência”, é roubo. O cleptomaníaco tem “mania de furtar”. Se houver roubo e assassinato, é latrocínio.

SALÁRIO/VENCIMENTO – Empregado de empresa privada e funcionário público contratado com base na CLT recebem salário; funcionários públicos em geral recebem vencimento; soldo é a parte fixa dos vencimentos dos militares. Parlamentares recebem subsídio.

FIQUE POR DENTRO

1ª) A presidente OU a presidenta?

Tanto faz. Nossos dicionários registram as duas formas. A escritora Nélida Piñón, quando se tornou presidente da Academia Brasileira de Letras, sempre foi tratada e se referia a si como “a presidente da ABL”.

Cristina Kirchner, após ser eleita presidente da Argentina, faz questão de ser chamada de “presidenta”, porque, segundo ela, é mais feminino. A verdade é que na língua espanhola, como na língua portuguesa, as duas formas são corretas e aceitáveis.

2ª) Tiróide OU tireóide?

Tanto faz. As duas formas aparecem registradas nas edições mais recentes dos nossos principais dicionários. Não é, portanto, uma questão de certo ou errado. O que pode haver é uma preferência por uma ou por outra forma.

3ª) Em prol OU contra?

Afirmou o representante de uma ONG ao repórter da Tv Globo: “Nosso objetivo é continuar a luta em prol da desigualdade racial.”

Não acredito que ele dirija uma organização que lute a favor da desigualdade racial!!!
É lógico que ele queria dizer que sua luta é contra a desigualdade racial ou em prol da igualdade racial.

4ª) Cair OU não cair?

Confessou o capitão do time: “Nossa briga é para cair para a segunda divisão.”
Se fosse verdade, seria um caso de demissão por justa causa, por traição. O nervosismo após a derrota provocou a confusão. Faltou uma palavrinha muito importante: “Nossa briga é para NÃO cair para a segunda divisão” ou “para nos manter na primeira divisão”.

5ª) Fazer o reconhecimento do gramado?

Leitor questiona o uso da palavra reconhecimento.

O nosso leitor tem razão em parte. Se analisarmos o verbo reconhecer no sentido original, constataremos que RE+conhecer é “conhecer de novo”, logo só poderíamos reconhecer o que já conhecíamos. Assim sendo, se os jogadores estão entrando pela primeira vez naquele campo, não se trata de reconhecimento, e sim “conhecimento”.

O problema é que “reconhecimento do gramado” faz parte do jargão esportivo, do “futebolês”. É semelhante ao caso de “correr atrás do prejuízo”. Pode ser um absurdo, mas é perfeitamente compreensível por quem é do meio futebolístico.

Esse tipo de problema não deve ser tratado como um caso de certo ou errado. O que podemos discutir é se a expressão é adequada ou não em determinados contextos.

6ª) Repetir de novo?

Leitor critica um dos nossos comentaristas de arbitragens que teria dito: “O árbitro, acertadamente, mandou o atacante repetir de novo a cobrança do pênalti.”

Se fosse para o atacante cobrar o pênalti pela segunda vez, nosso leitor teria razão: repetir de novo seria uma redundância.

O problema é que o pênalti foi cobrado três vezes. Quando o árbitro mandou o atacante cobrar pela terceira vez, podemos dizer que o árbitro mandou repetir de novo a cobrança do pênalti.

Inaceitável seria dizer que “O Goiás repetiu três vezes a cobrança do pênalti”. Ou “bateu o pênalti três vezes” ou “repetiu duas vezes a cobrança do pênalti”.

 

ETERNAS DÚVIDAS  DE CONCORDÂNCIA

1ª) Houve OU houveram erros?

Se “houveram erros” é porque HOUVE mais erros do que se imaginava.
O verbo HAVER, no sentido de “existir ou acontecer”, é impessoal (sem sujeito), por isso deve ser usado somente no singular: “Há muitas pessoas na reunião”; “Havia mais convidados que o esperado”; “Haverá muitos candidatos no próximo concurso”; “Ainda haveria alguns problemas para serem resolvidos”; “HOUVE erros”…

2ª) Nos nossos planos não estão OU não está o atacante?

A regra básica de concordância verbal manda o verbo concordar com o sujeito. No caso, quem não está nos nossos planos é o atacante. Isso significa que o sujeito (o atacante) está no singular. A concordância correta, portanto, deve ser feita no singular: “Nos nossos planos não ESTÁ o atacante”.
Esse tipo de erro acontece com muita freqüência quando o sujeito está invertido (depois do verbo): “ACONTECERAM (e não “aconteceu”) dois acidentes nesta esquina”; “SURGIRAM (e não “surgiu”), após muitas discussões, duas propostas para resolver o problema”; “SEGUEM ANEXAS (e não “segue anexo”) as notas fiscais”; “ESTÃO FALTANDO (e não “está faltando”) cinco minutos para acabar o jogo”.

3ª) O grande segredo é OU são as jogadas ensaiadas?

O verbo SER pode concordar com o sujeito ou com o predicativo. Assim sendo, as duas possibilidades são corretas e aceitáveis. Há, porém, uma visível preferência pelo plural: “O maior problema do Rio de Janeiro SÃO as chuvas”; “A prioridade do governo SÃO os pobres”; “A última esperança do Vasco SÃO os dois atacantes”; “O grande segredo SÃO as jogadas ensaiadas”.

4ª) O ataque de hoje é OU são…?

É o mesmo caso anterior. Entre o singular e o plural, a concordância preferencial para o verbo SER é no plural: “O ataque de hoje SÃO Leandro Amaral, Dodô e Washington”.

5ª) Não é OU sou eu que vou dizer isso?

A locução enfática “é que”, a princípio, é invariável: “Eu é que disse isso”; “Nós é que resolvemos o caso”; “Eles é que escolheram a data da reunião”.
Quando o verbo SER é colocado antes do pronome pessoal, é correto e aceitável que concorde com o pronome: “FUI eu que disse isso”; “FOMOS nós que resolvemos o caso”; “FORAM eles que escolheram a data da reunião”; “SÃO eles que vão assinar o contrato”; “Não SOU eu que vou dizer isso”.

6ª) Eles já têm idade para fazer o que quiser OU quiserem?

A concordância correta é “Eles já têm idade para fazer o que QUISEREM”.
Alguns autores consideram a concordância facultativa quando o sujeito do infinitivo está oculto e é o mesmo da oração principal: “Eles já têm idade para FAZER ou FAZEREM o que quiserem”. A maioria dos estudiosos, porém, afirma que, nesse caso, a concordância deve ser no singular (uso do infinitivo não flexionado): “Eles já têm idade para FAZER o que quiserem”; “Os advogados foram chamados para ANALISAR o contrato”; “Os diretores estão aqui para ASSINAR o contrato”; “Eles foram convocados para RESOLVER os problemas”.
No caso de QUISER ou QUISEREM, o problema é outro. Embora terminem em “r”, QUISER, FIZER, DISSER, PUSER, FOR, TIVER… não são formas do infinitivo. São do futuro do subjuntivo. Em razão disso, a concordância com o sujeito (oculto ou não) é obrigatória: “ELES já têm idade para fazer o que (eles) QUISEREM”.

Fonte:http://colunas.g1.com.br/portugues/2008/05/28/duvidas-do-dia-a-dia/